A fábula ridícula de La Fontaine

A Fábula Ridícula de La Fontaine

Por Antenor Emerich



Contaram para você que a cigarra canta o verão inteiro enquanto a formiga trabalha. Mentira.

A fêmea bota os ovos e morre. Não tem violão. Não tem preguiça. Tem função.

O ovo cai. Vira ninfa. Entra na terra. Fica lá: 4 anos, 17 anos. No escuro. Sem sol. Sem aplauso.

Depois, cava. Sobe na árvore. Troca de pele. Vira adulta por um único verão. O macho canta. Grita agudo. Alto. Não é festa: é instinto. Ele tem apenas 30 dias para achar a fêmea silenciosa, acasalar e morrer.

Dezessete anos de chão para trinta dias de canto.

A formiga guarda comida? A cigarra guardou a espécie.

La Fontaine não sabia de biologia; sabia de casta. Inventou a fábula para a criança obedecer. Para você achar que quem canta é vagabundo. Para você bater palma para a formiga que carrega folha o dia inteiro para o formigueiro da rainha.

A moral da elite é clara: Trabalhe. Não cante.


Comentários

  1. Era da elite, agora virou do pobre vigia de direita pela saco,

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