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Mostrando postagens de maio 8, 2026
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  O IRÃ E O URÂNIO Quando o Brasil peitou os "Donos do Mundo" O texto que republico hoje foi escrito em 3 de março de 2010 . Para quem não se recorda do cenário, aquele mês foi o estopim de uma das maiores ousadias da diplomacia brasileira. Enquanto as potências ocidentais pressionavam por sanções severas contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad, o Brasil — sob a liderança do então presidente Lula e do chanceler Celso Amorim — defendia que "ainda era tempo para a diplomacia". Naquela exata semana de março de 2010, os inspetores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) estavam em campo, enquanto o Irã anunciava o início do enriquecimento de urânio a 20%. O clima era de guerra iminente. O Brasil, junto com a Turquia, tentava costurar o que viria a ser a Declaração de Teerã , um acordo de troca de combustível nuclear que visava garantir a soberania iraniana sem a necessidade de armas. Ao reler estas linhas escritas há 16 anos, percebo que a pergun...

FINAL DA COPA 2026

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  O TOM DA RETÓRICA: FINAL DA COPA 2026 - Por Antenor Emerich - O espantoso não é o preço na bilheteria; é o estádio lotado. Assistir à final da Copa do Mundo de 2026 está custando dez mil dólares. O povo sustenta o espetáculo pagando alto para assistir: na arquibancada, no grito, no manto suado. O povo emana a paixão. Entrega o peito. Suor e sangue na camisa oficial, parcelada em doze vezes. O grito volta em forma de boleto. O amor volta em forma de multa, se você pular a catraca. Dez mil dólares para ver vinte e dois milionários correrem atrás da bola. E oitenta mil pessoas acham que o negócio é justo. Porque não compraram um jogo; compraram o direito de dizer: "Eu estava lá". Compraram a estatística de serem a minoria que assistiu in loco à final do mundo. A torcida sustenta o clube, os atletas e a vaidade. Tudo é vaidade, já dizia o Eclesiastes. Maior que a paixão pelo time é o sentimento de fazer parte de um grande grupo. A satisfação não está no esporte; está no perten...

A fábula ridícula de La Fontaine

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A Fábula Ridícula de La Fontaine Por Antenor Emerich Contaram para você que a cigarra canta o verão inteiro enquanto a formiga trabalha. Mentira. A fêmea bota os ovos e morre. Não tem violão. Não tem preguiça. Tem função. O ovo cai. Vira ninfa. Entra na terra. Fica lá: 4 anos, 17 anos. No escuro. Sem sol. Sem aplauso. Depois, cava. Sobe na árvore. Troca de pele. Vira adulta por um único verão. O macho canta. Grita agudo. Alto. Não é festa: é instinto. Ele tem apenas 30 dias para achar a fêmea silenciosa, acasalar e morrer. Dezessete anos de chão para trinta dias de canto. A formiga guarda comida? A cigarra guardou a espécie. La Fontaine não sabia de biologia; sabia de casta. Inventou a fábula para a criança obedecer. Para você achar que quem canta é vagabundo. Para você bater palma para a formiga que carrega folha o dia inteiro para o formigueiro da rainha. A moral da elite é clara: Trabalhe. Não cante.