Ordem e progresso
No Brasil, a ordem sempre foi o nome educado do medo do povo. Artigo de Antenor Emerich Desde a proclamação da República, o país escolheu se organizar não a partir da soberania popular, mas a partir de um princípio anterior e supostamente neutro: a ordem. Não por acaso, ela vem antes do progresso, e jamais aparece acompanhada de liberdade, igualdade ou participação. A bandeira nacional não mente. Ela anuncia, com clareza simbólica, a filosofia política que moldou nossa elite. O positivismo de Augusto Comte encontrou no Brasil um terreno fértil. Aqui, suas ideias não foram apenas estudadas, foram institucionalizadas. A crença na sociedade conduzida por técnicos, especialistas, engenheiros sociais e militares caiu como luva para uma elite que sempre desconfiou da política e temeu o povo. A República nasceu sem povo, proclamada por homens fardados, iluminados por teorias científicas e profundamente avessos à desordem democrática. Para o positivismo, o povo não é sujeito histórico, é objet...