Postagens

EGOTRIP

Imagem
**DE VOLTA AO ENCONTRO**  Crônica de Antenor Emerich  Imagem: argumento Antenor Emerich – desenho CHATGPT          Houve um tempo em que eu cabia na palma da minha própria mão. Não porque eu fosse pequeno — mas porque eu era portátil. Carregava comigo um mundo inteiro que não era meu. Vozes, urgências, imagens, desejos emprestados. Um desfile constante de vontades alheias atravessando o meu silêncio como quem invade uma casa sem bater. E eu deixava. Até o dia em que o peso ficou evidente. Não nos ombros — mas na atenção. Não no corpo — mas na consciência.           Largar o celular não foi um gesto tecnológico. Foi quase um gesto existencial. Como quem solta uma corrente invisível e, por um instante, sente falta do barulho do metal arrastando no chão. No começo, houve inquietação. O hábito chamava como um vício educado: discreto, insistente, convincente. Quase voltei. Mas permaneci. E foi então que algo curioso acon...

A solução fácil

Imagem
A questão da cognição Quando o problema é grande, muita gente procura a resposta mais simples. Não a melhor. A mais fácil. Na violência, essa resposta costuma ser: matar o bandido. Parece lógico. Parece rápido. Parece eficiente. Mas isso é pensamento de criança. Dou um exemplo real. Em sala de aula, alunos da quinta série escreveram redações. Histórias diferentes, personagens diferentes, conflitos variados. Mas todas, sem exceção, terminavam do mesmo jeito: alguém morria. Matar era a forma mais fácil de encerrar a história. O conflito acabava ali. Não precisava pensar mais. Adultos fazem exatamente a mesma coisa. O problema da sociedade é complexo. Envolve desigualdade, educação ruim, falta de oportunidades, ausência do Estado, cultura da violência. Isso dá trabalho para pensar. Dá trabalho para resolver. Então surge a saída curta: elimina o bandido. Mas matar não resolve sistema. Matar não corrige estrutura. Matar não impede que outro ocupe o mesmo lugar amanhã. É como apag...

Cognição: quando pensar deixa de ser um ato conscient

Imagem
 [11:56, 22/01/2026] Antenor Emerich Cognição é, em termos simples, a capacidade de perceber, interpretar, organizar e agir a partir da realidade. Pensar, lembrar, aprender, decidir, antecipar consequências. Não é apenas inteligência, nem apenas memória. É o sistema operacional da consciência em funcionamento. Argumento da imagem: Antenor Emerich. Realizaçao daimagem: ChatGPT O problema começa quando a cognição falha, não de forma pontual, mas estrutural. Deficiência cognitiva não se resume a quadros clínicos ou neurológicos. Há um tipo de deficiência cognitiva funcional, socialmente produzida e culturalmente incentivada, que se manifesta no cotidiano de pessoas aparentemente saudáveis, escolarizadas e informadas. Ela aparece quando o indivíduo: • Não consegue sustentar uma ideia até o fim • Confunde opinião com fato • Reage antes de compreender • Repete narrativas sem examiná-las • É incapaz de revisar a própria crença diante de novas evidências Nesse caso, o p...

Ordem e progresso

Imagem
No Brasil, a ordem sempre foi o nome educado do medo do povo. Artigo de Antenor Emerich Desde a proclamação da República, o país escolheu se organizar não a partir da soberania popular, mas a partir de um princípio anterior e supostamente neutro: a ordem. Não por acaso, ela vem antes do progresso, e jamais aparece acompanhada de liberdade, igualdade ou participação. A bandeira nacional não mente. Ela anuncia, com clareza simbólica, a filosofia política que moldou nossa elite. O positivismo de Augusto Comte encontrou no Brasil um terreno fértil. Aqui, suas ideias não foram apenas estudadas, foram institucionalizadas. A crença na sociedade conduzida por técnicos, especialistas, engenheiros sociais e militares caiu como luva para uma elite que sempre desconfiou da política e temeu o povo. A República nasceu sem povo, proclamada por homens fardados, iluminados por teorias científicas e profundamente avessos à desordem democrática. Para o positivismo, o povo não é sujeito histórico, é objet...

Eu consigo, porque você não consegue?

Imagem
Artigo, no tom ensaístico-reflexivo de O TOM DA RETÓRICA. Sem didatismo barato, com ironia limpa e lâmina embutida. Por Antenor Emerich  Eu consigo. Por que você não consegue? Há frases que não pedem resposta. Pedem silêncio. Ou análise. “Eu consigo, por que você não consegue?” não é uma pergunta inocente. É uma conclusão travestida de curiosidade. Ela parte do resultado e ignora o caminho. Parte do “eu” e despreza o mundo. Parte da exceção e a transforma em regra moral. Costuma aparecer como incentivo, mas funciona como acusação. Quem a pronuncia já decidiu: se eu cheguei, você falhou. Para expor o truque, basta deslocar o cenário. Eu escrevo poemas. Por que você não escreve? Eu escrevo crônicas. Por que você não escreve? Eu escrevo contos. É fácil. Se eu posso, você também pode. A frase, aplicada à literatura, soa imediatamente absurda. E é justamente aí que ela revela sua falência lógica. Ninguém afirmaria, com seriedade, que escrever é fácil só porque alguém escreve. Ninguém di...

Armas nas escolas estadunidenses

Imagem
209 incidentes com armas de fogo em escolas nos estados até 13 de novembro. Em 2024 resultaram em pelo menos 69 mortes de vítimas e 12 atiradores mortos, com 194 vítimas feridas.  O número de incidentes com armas de fogo em escolas nos Estados Unidos em 2025 varia consideravelmente dependendo da fonte e da metodologia de contagem utilizadas.  * De acordo com a K-12 School Shooting Database, houve 209 incidentes de tiroteios em escolas em 2025 (até 12 de novembro). Esta base de dados tem uma definição ampla, que inclui qualquer incidente em que uma arma é levada para a propriedade da escola, disparada, ou uma bala atinge a propriedade, independentemente do número de vítimas ou da hora. * Uma análise da Education Week, que utiliza critérios mais restritos (apenas incidentes que resultam em ferimentos ou mortes), registrou 15 tiroteios em escolas este ano (até 13 de novembro). * Outras fontes relataram números como 116 incidentes até 19 de junho ou 68 incidentes até 14 de novembr...

A Corrida pelas Terras Raras: Elementos Essenciais para o Futuro Tecnológic

Imagem
Artigo de Antenor Emerich Em um mundo cada vez mais dependente de tecnologias avançadas e energias limpas, as terras raras – um grupo de 17 elementos químicos como lantânio, neodímio e disprósio – emergem como peças-chave no tabuleiro global. Apesar do nome, elas não são tão raras assim na crosta terrestre, mas sua extração e uso estratégico as tornam valiosas. Em 2025, com a transição energética acelerada, a demanda por esses minerais cresceu 6-8% só no ano anterior, impulsionada por veículos elétricos, turbinas eólicas e baterias. 3 Esses elementos são cruciais para a fabricação de ímãs permanentes, componentes eletrônicos e até equipamentos de defesa, como mísseis e radares. 5 Sem eles, a revolução digital e a luta contra as mudanças climáticas ficariam seriamente comprometidas, destacando sua importância geopolítica e econômica. 2 “Mapa global de reservas de terras raras em 2021, mostrando a distribuição por país (fonte: USGS)” “LEFT” “SMALL” Países com Reservas e Produção de Terra...