Brasil encoberto
Desocobriram o Brasil. Não foi um gesto heroico, foi um rasgo. Não foi chegada, foi invasão com nome lavado. Chacinaram os nativos. E depois chamaram de progresso, como se a palavra fosse um pano úmido capaz de limpar sangue seco na terra. Trouxeram negros como escravos. Corrigindo: sequestraram vidas, embarcaram corpos, negociaram almas como quem troca sacas de café. E ainda tiveram a ousadia de escrever “civilização” na capa desse livro. Chamam índios de vadios e negros de malandros. A ironia aqui não é fina, é grotesca. Quem saqueou chama o outro de preguiçoso. Quem explorou chama o outro de oportunista. É o ladrão vestindo toga e apontando o dedo com indignação ensaiada. Viva... Viva o quê, exatamente? Viva a narrativa que se repete como um eco mal resolvido? Viva a estátua erguida sobre ossos que ninguém quis contar? Viva o hino cantado com a garganta limpa e a memória suja? O Brasil não foi descoberto. Foi encoberto. Encoberto por versões convenientes, por livros didáticos a...