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Não há nada mais deprimente do que depender do caos alheio para se sentir alguém. ​

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  A ideia central é expor como essa busca frenética por engajamento através da polêmica vazia é, no fundo, uma armadilha — uma ilusão de poder que, na verdade, escraviza a pessoa ao algoritmo e ao julgamento alheio. ​ ​A Ilusão do Palco em Chamas: Por Que a Polêmica por Engajamento É o Novo Canto da Sereia ​ Artigo de Antenor Emerich – 17 de julho de 2026 Imagem: Argumednto Antenor Emerich - Montagem GEMINI Existe uma ilusão contemporânea, talvez uma das mais sedutoras e patéticas dos nossos tempos, que dita o seguinte manual de sobrevivência digital: "Crie um incêndio por semana e garanta o seu lugar ao sol". Muita gente realmente acredita que retroalimentar o caos nas redes sociais, caçando polêmicas a troco de likes e visualizações, é o equivalente moderno a estar na crista da onda. ​ Dizem por aí que "fale bem ou fale mal, mas falem de mim". Mas o que esquecem de avisar a esses autoproclamados reis do engajamento é que existe uma linha muito tênue entr...

Quando a menor partícula da matéria é um centavo

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O pragmatismo do boleto: por que a classe média brasileira confunde extrato bancário com inteligência econômica ​Artigo de Antenor Emerich - 17 de julho de 2026 ​ Imagem: Argumento Antenor Emerich - Montagem: GEMINI Aos 16 anos, no início da minha trajetória na imprensa, ouvi pela primeira vez uma pergunta que viria a se tornar o mantra, o hino e a bússola moral da classe média brasileira: "Mas o que é que você vai ganhar com isso?". ​Ao longo de mais de quarenta anos observando a dinâmica social do nosso país, vi essa frase esmagar vocações artísticas, enterrar sonhos de jovens que queriam ser pintores, filósofos ou cientistas políticos, e direcionar gerações para o funil seguro das profissões liberais. O objetivo coletivo da nossa classe média foi reduzido a uma meta única e obsessiva: a capitalização. Direito, medicina ou engenharia não como caminhos de vocação ou construção civilizatória, mas como passaportes para o condomínio fechado. ​Não há crime em querer pros...

A ingenuidade da IA

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Penso e escrevo sobre tudo o que se refera a vida social e política da humanida desde que eu tinha 14 anos. Nunca precisei de IAs para isso, embora leia livros sobre IA desde 1989, quando comecei a ler Isac Asimov. Artigo de Antenor Emerich Há uma pergunta que me fazem com frequência, embora nem sempre em voz alta: "Você conversa tanto com o ChatGPT... não tem medo de acabar pensando como uma máquina?" Minha resposta é simples: não. Porque nunca pedi ao ChatGPT que pensasse por mim. Existe uma diferença enorme entre consultar e delegar. Delegar é entregar a alguém a responsabilidade pela decisão. Consultar é abrir uma janela para enxergar um ângulo que talvez eu não tenha percebido. É exatamente assim que utilizo a inteligência artificial. Nunca terceirizei minhas decisões. Nunca terceirizei minhas culpas. Nunca terceirizei meus resultados. Se uma ideia sugerida pelo ChatGPT me parece boa, ela continua sendo apenas uma hipótese. Ela só se torna conhecimento depois que at...

Bets: "A minha sorte é melhor"

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  EDITORIAL Bets: "A minha sorte é melhor" Antenor Emerich Calma, BET, calma. É espantosa a facilidade com que milhões de pessoas entregam dinheiro às casas de apostas acreditando que serão a exceção. Todo apostador acredita que vai tirar a sorte grande. Nenhum, absolutamente nenhum, para por um instante e pensa: "Existem milhões de pessoas apostando exatamente a mesma coisa que eu." E, principalmente: "A BET não é uma casa de caridade." Ela não existe para distribuir riqueza. Ela existe para ganhar dinheiro. E ganha. Ganha porque as probabilidades foram construídas para isso. O apostador perde. Acredita que foi azar. Aposta outra vez para recuperar o prejuízo. Perde de novo. Então faz aquilo que a BET espera que ele faça: deposita mais dinheiro. É um ciclo perfeito. Quanto mais a pessoa perde, mais acredita que está perto de ganhar. É a velha ilusão de que a próxima aposta corrigirá todas as anteriores. Mas a matemática não tem memóri...

REPORTAGEM ESPECIAL: Os Bastidores da Legalização das "Bets" no Brasil

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Reportagem Antenor Emerich   A camara do deputados  A aprovação do mercado de apostas online (as "bets") no Congresso Nacional ocorreu oficialmente em dezembro de 2023 através da Lei nº 14.790. O início de tudo, porém, remonta a 2018, quando o então presidente Michel Temer legalizou a modalidade sem regulamentá-la. Diante do crescimento desordenado e do interesse do governo federal em engordar o caixa público, a Câmara dos Deputados liderou a votação que estruturou o mercado, cobrando 12% de imposto sobre o faturamento das empresas e 15% sobre os ganhos dos apostadores. [1, 2, 3, 4, 5]  A seguir, confira a reportagem completa detalhando o histórico, as pressões políticas nos bastidores e os impactos financeiros que movimentaram os gabinetes de Brasília. REPORTAGEM ESPECIAL: Os Bastidores da Legalização das "Bets" no Brasil O Começo de Tudo: A "Janela" de 2018 A febre das apostas no Brasil começou antes mesmo de o país possuir regras fiscais para o setor. E...

Fim dos direitos trabalhistas

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Artigo de Antenor Emerich Às vezes, fico imaginando o sujeito que vota na extrema-direita. O candidato diz: "Vocês têm que abrir mão dos direitos do trabalhador. É melhor ter mais emprego e menos direitos do que ficar sem trabalhar." E o indivíduo responde: "É isso aí! Vou votar nesse candidato."  E vota. Vota contra si mesmo. Vota pelo fim do FGTS, pelo enfraquecimento da Previdência, pela redução da proteção trabalhista, pela flexibilização das garantias conquistadas ao longo de décadas. Vota contra férias remuneradas, décimo terceiro, sindicatos, acordos coletivos, universidades públicas, creches e políticas sociais que ajudam a reduzir a desigualdade. Em nome da liberdade, acaba aceitando uma condição de maior vulnerabilidade. Neste ponto, surgem à minha mente inquieta três questões fundamentais. Questão um O grande truque dessa retórica consiste em vender a perda de direitos como sinônimo de liberdade ou de espírito empreendedor. O trabalhador abre mão da segur...

A ERA DA SUSPEITA

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  Artigo de Antenor Eme rich Nos últimos dias, discussões envolvendo PT, PL, bolsonarismo, TSE e acusações divulgadas nas redes sociais reacenderam um fenômeno antigo da política: a força das suspeitas. A notícia é recente. O fenômeno não. Ao longo da história, impérios foram erguidos e destruídos por boatos. Religiões foram perseguidas por suspeitas. Pessoas perderam reputações, empregos, amizades e até a própria vida por acusações jamais comprovadas. A suspeita possui uma característica curiosa: ela não precisa ser verdadeira para produzir efeitos reais. Basta que seja plausível. Ou, em muitos casos, basta que pareça confirmar aquilo em que já acreditamos. Costumamos imaginar que formamos nossas opiniões após analisar cuidadosamente os fatos. A experiência cotidiana sugere algo diferente. Muitas vezes escolhemos primeiro a conclusão e, somente depois, procuramos argumentos capazes de sustentá-la. É por isso que duas pessoas podem observar exatamente o mesmo acontecimento e...