O TOM DA RETÓRICA: O SENSO COMUM EM ALTA DEFINIÇÃO
Antenor Emerich A internet não criou o senso comum. Ela apenas acendeu a luz. Antes, ele vivia confortável na penumbra — repetido em mesas de bar, herdado em conversas de família, sustentado por manchetes mastigadas. Era limitado pelo alcance da voz. Então veio a internet. E com ela, o espetáculo. O que antes era local, tornou-se global. O que antes era dito por poucos, passou a ser repetido por milhões. E o que antes parecia opinião… revelou-se padrão. A internet deixou bem evidente essa história de “senso comum”. Escancarou sua anatomia. Ele não pensa — replica. Não questiona — reage. Não constrói — compartilha. E o mais curioso: quanto mais pessoas concordam, mais verdadeiro ele parece. Como se a quantidade fosse um argumento. Likes viraram aval. Compartilhamentos viraram prova. E a repetição — essa velha técnica de domesticação — ganhou velocidade de fibra ótica. Não é mais necessário convencer. Basta circular. Nesse ambiente...