FINAL DA COPA 2026

 

O TOM DA RETÓRICA: FINAL DA COPA 2026

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Por Antenor Emerich
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O espantoso não é o preço na bilheteria; é o estádio lotado. Assistir à final da Copa do Mundo de 2026 está custando dez mil dólares.

O povo sustenta o espetáculo pagando alto para assistir: na arquibancada, no grito, no manto suado. O povo emana a paixão. Entrega o peito. Suor e sangue na camisa oficial, parcelada em doze vezes.

O grito volta em forma de boleto. O amor volta em forma de multa, se você pular a catraca.

Dez mil dólares para ver vinte e dois milionários correrem atrás da bola. E oitenta mil pessoas acham que o negócio é justo. Porque não compraram um jogo; compraram o direito de dizer: "Eu estava lá". Compraram a estatística de serem a minoria que assistiu in loco à final do mundo.

A torcida sustenta o clube, os atletas e a vaidade. Tudo é vaidade, já dizia o Eclesiastes. Maior que a paixão pelo time é o sentimento de fazer parte de um grande grupo. A satisfação não está no esporte; está no pertencimento.

A Casta descobriu que o povo paga para ser peão do próprio espetáculo. Paga para respirar o mesmo ar que o ídolo.

O ar é de graça. Mas a arquibancada custa dez mil.

Questione: você pagou para ver o jogo ou pagou para sentir que existe?


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