O IRÃ E O URÂNIO
Quando o Brasil peitou os "Donos do Mundo"
O texto que republico hoje foi escrito em 3 de março de 2010.
Para quem não se recorda do cenário, aquele mês foi o estopim de uma das maiores ousadias da diplomacia brasileira. Enquanto as potências ocidentais pressionavam por sanções severas contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad, o Brasil — sob a liderança do então presidente Lula e do chanceler Celso Amorim — defendia que "ainda era tempo para a diplomacia".
Naquela exata semana de março de 2010, os inspetores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) estavam em campo, enquanto o Irã anunciava o início do enriquecimento de urânio a 20%. O clima era de guerra iminente. O Brasil, junto com a Turquia, tentava costurar o que viria a ser a Declaração de Teerã, um acordo de troca de combustível nuclear que visava garantir a soberania iraniana sem a necessidade de armas.
Ao reler estas linhas escritas há 16 anos, percebo que a pergunta central continua sem resposta: Quem entregou o cetro de Senhores do Planeta aos americanos do norte?
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O IRÃ E O URÂNIO
Março 03, 2010
Se eu disser ser a favor do Irã, talvez homens de preto apareçam me contratando para sumir…
Fatos de Março de 2010 para a sua memória:
01 a 05 de Março: Reunião crucial do Conselho de Governadores da AIEA sobre o programa nuclear iraniano.
Ameaça de Sanções: Os EUA, França e Grã-Bretanha intensificavam o discurso para uma quarta resolução de sanções na ONU.
O "Gol" Diplomático: Meses depois, em maio, a mediação brasileira resultaria no histórico acordo tripartido em Teerã, provando que o Brasil não aceitava apenas ser um espectador da geopolítica.
Segue o texto
original publicado no Blog “O tom da retórica” em 03 de março
de 2010.
Se disser ser a favor do Irã, talvez homens de
preto apareçam me contratando para sumir.
Entretanto, quem é o
dono do mundo?
Quem manda no planeta?
Os Estados Unidos tem
armas nucleares e é uma nação sabidamente protestante, ou, não
católica.
O Irã é uma nação mulçumana e não possui armas
nucleares. E, os Americanos, do norte, não querem que eles as
tenham.
Formando o grupo de donos do mundo vem a Grã-Bretanha,
Alemanha e França. Todos com armas
nucleares. Se alguém, em
algum lugar do mundo mexer com urânio, lá estarão eles para
averiguar, como fazem com o Brasil em Angra.
Não se trata de
ser a favor ou contra o Irã, mas de saber até vai a soberania de
uma Nação, e sobretudo, quem entregou aos Americanos, do norte, o
cetro de Senhores do Planeta?
A história se repete, mas à força.
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"Na imagem, o registro original de como esse pensamento nasceu em 2010. A retórica muda de tom, mas os fatos da geopolítica seguem o mesmo roteiro."
https://otomdaretorica.blogspot.com/2010/03/o-ira-e-o-uranio.html


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