EGOTRIP
**DE VOLTA AO ENCONTRO** Crônica de Antenor Emerich Imagem: argumento Antenor Emerich – desenho CHATGPT Houve um tempo em que eu cabia na palma da minha própria mão. Não porque eu fosse pequeno — mas porque eu era portátil. Carregava comigo um mundo inteiro que não era meu. Vozes, urgências, imagens, desejos emprestados. Um desfile constante de vontades alheias atravessando o meu silêncio como quem invade uma casa sem bater. E eu deixava. Até o dia em que o peso ficou evidente. Não nos ombros — mas na atenção. Não no corpo — mas na consciência. Largar o celular não foi um gesto tecnológico. Foi quase um gesto existencial. Como quem solta uma corrente invisível e, por um instante, sente falta do barulho do metal arrastando no chão. No começo, houve inquietação. O hábito chamava como um vício educado: discreto, insistente, convincente. Quase voltei. Mas permaneci. E foi então que algo curioso acon...