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Mostrando postagens de abril, 2026

O TOM DA RETÓRICA: O SENSO COMUM EM ALTA DEFINIÇÃO

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  Antenor Emerich A internet não criou o senso comum. Ela apenas acendeu a luz. Antes, ele vivia confortável na penumbra — repetido em mesas de bar, herdado em conversas de família, sustentado por manchetes mastigadas. Era limitado pelo alcance da voz. Então veio a internet. E com ela, o espetáculo. O que antes era local, tornou-se global. O que antes era dito por poucos, passou a ser repetido por milhões. E o que antes parecia opinião… revelou-se padrão. A internet deixou bem evidente essa história de “senso comum”. Escancarou sua anatomia. Ele não pensa — replica. Não questiona — reage. Não constrói — compartilha. E o mais curioso: quanto mais pessoas concordam, mais verdadeiro ele parece. Como se a quantidade fosse um argumento. Likes viraram aval. Compartilhamentos viraram prova. E a repetição — essa velha técnica de domesticação — ganhou velocidade de fibra ótica. Não é mais necessário convencer. Basta circular. Nesse ambiente...

HIPOCRISIA: O INGREDIENTE ESSENCIAL PARA O SUCESSO

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Antenor Emerich Há um momento sutil na vida de qualquer aspirante ao sucesso. Não é quando ele aprende algo novo. É quando ele desaprende a dizer. A princípio, é apenas cautela. Uma palavra engolida aqui, uma opinião podada ali. Nada demais — apenas o ajuste fino de quem começa a entender que o mundo não recompensa verdades, mas performances. Então, quase sem perceber, ele começa a cuidar do que diz. Lapida frases. Calcula reações. Mede olhares. E nesse zelo cirúrgico, algo essencial se perde: ele já não diz o que pensa — diz o que convém. O pensamento vira rascunho permanente. A fala, produto final. E assim nasce uma nova arquitetura interna: em vez de pontes, muros. Muros feitos de silêncio estratégico, de concordâncias falsas, de discordâncias adiadas até nunca. Do lado de dentro, ele se protege. Do lado de fora, ele prospera. Porque o sucesso — esse animal social — não exige coragem, exige adaptação. E adaptação, quando levada ao extremo, a...

Brasil encoberto

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 Desocobriram o Brasil. Não foi um gesto heroico, foi um rasgo. Não foi chegada, foi invasão com nome lavado. Chacinaram os nativos. E depois chamaram de progresso, como se a palavra fosse um pano úmido capaz de limpar sangue seco na terra. Trouxeram negros como escravos. Corrigindo: sequestraram vidas, embarcaram corpos, negociaram almas como quem troca sacas de café. E ainda tiveram a ousadia de escrever “civilização” na capa desse livro. Chamam índios de vadios e negros de malandros. A ironia aqui não é fina, é grotesca. Quem saqueou chama o outro de preguiçoso. Quem explorou chama o outro de oportunista. É o ladrão vestindo toga e apontando o dedo com indignação ensaiada. Viva... Viva o quê, exatamente? Viva a narrativa que se repete como um eco mal resolvido? Viva a estátua erguida sobre ossos que ninguém quis contar? Viva o hino cantado com a garganta limpa e a memória suja? O Brasil não foi descoberto. Foi encoberto. Encoberto por versões convenientes, por livros didáticos a...

EGOTRIP

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**DE VOLTA AO ENCONTRO**  Crônica de Antenor Emerich  Imagem: argumento Antenor Emerich – desenho CHATGPT          Houve um tempo em que eu cabia na palma da minha própria mão. Não porque eu fosse pequeno — mas porque eu era portátil. Carregava comigo um mundo inteiro que não era meu. Vozes, urgências, imagens, desejos emprestados. Um desfile constante de vontades alheias atravessando o meu silêncio como quem invade uma casa sem bater. E eu deixava. Até o dia em que o peso ficou evidente. Não nos ombros — mas na atenção. Não no corpo — mas na consciência.           Largar o celular não foi um gesto tecnológico. Foi quase um gesto existencial. Como quem solta uma corrente invisível e, por um instante, sente falta do barulho do metal arrastando no chão. No começo, houve inquietação. O hábito chamava como um vício educado: discreto, insistente, convincente. Quase voltei. Mas permaneci. E foi então que algo curioso acon...