Não há nada mais deprimente do que depender do caos alheio para se sentir alguém. ​

 

A ideia central é expor como essa busca frenética por engajamento através da polêmica vazia é, no fundo, uma armadilha — uma ilusão de poder que, na verdade, escraviza a pessoa ao algoritmo e ao julgamento alheio.


​A Ilusão do Palco em Chamas: Por Que a Polêmica por Engajamento É o Novo Canto da Sereia

Artigo de Antenor Emerich – 17 de julho de 2026


Imagem: Argumednto Antenor Emerich - Montagem GEMINI


Existe uma ilusão contemporânea, talvez uma das mais sedutoras e patéticas dos nossos tempos, que dita o seguinte manual de sobrevivência digital: "Crie um incêndio por semana e garanta o seu lugar ao sol". Muita gente realmente acredita que retroalimentar o caos nas redes sociais, caçando polêmicas a troco de likes e visualizações, é o equivalente moderno a estar na crista da onda.

Dizem por aí que "fale bem ou fale mal, mas falem de mim". Mas o que esquecem de avisar a esses autoproclamados reis do engajamento é que existe uma linha muito tênue entre ser o protagonista do espetáculo e ser o bobo da corte que diverte o público se expondo ao ridículo.

O Preço de Estar em Evidência
​A grande ilusão de quem vive de criar atrito para se manter em evidência é achar que detém o controle da narrativa. Não detém. O mecanismo é simples, quase primitivo:
​Audiência de Aluguel: A atenção gerada pelo escândalo não é admiração; é curiosidade mórbida. As pessoas não estão ali pelo conteúdo, estão ali pelo acidente de trânsito digital.

Escravidão do Algoritmo: Para manter o mesmo nível de visualizações, a dose de absurdo precisa ser constantemente aumentada. O polêmico de hoje é o chato de amanhã se não inventar uma nova crise.

Validade Curta: Quem sobe no rastro da fumaça, some assim que o vento muda.
​É o clássico "voo de galinha" digital: faz um barulho danado, bate as asas com força, mas não sai do chão e a queda é logo ali na frente.

O Que o "Antigo" Já Sabia (e os Modernos Esqueceram)

Quem conhece o que acontece nos bastidores do mundo real — o que os antigos chamavam de construir reputação e legado — sabe que a relevância de verdade não nasce do barulho, nasce da consistência.

​Ficar caçando treta em comentários ou destilando opiniões deliberadamente absurdas para ver os números subirem é, no fundo, um grito desesperado por validação. É confundir fama com prestígio, e audiência com respeito. No final do dia, quando a tela desliga, o saldo de quem vive de polêmica é uma caixa de mensagens cheia de haters, uma saúde mental em frangalhos e a incômoda certeza de que, se eles pararem de gritar por cinco minutos, o mundo simplesmente esquece que eles existem.


​E convenhamos: não há nada mais deprimente do que depender do caos alheio para se sentir alguém.

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