Um Show de Rock ‘N Roll
E, no meio daquele frio, daquela chuva e daquela solidão, eu me recuperei um pouco.
De mim.
Para mim.
Artigo: Lih Galo – 13 de julho 2026
O
frio daquele fim de semana parecia atravessar a pele e alcançar a
alma. Era o dia de Rock — um daqueles eventos que a gente espera, e
espera muito, por saber que nem sempre acontece.
A previsão já
anunciava chuva, e ela veio… constante, insistente, como se
quisesse testar quem realmente estaria disposto a ficar.
Eu estava gripada, daquelas gripes que pedem coberta, silêncio e cama. E, por algumas horas, eu realmente considerei não ir. Mas havia algo maior que o desconforto físico: uma vontade quase teimosa de estar ali.
O início, previsto para as 13h, acabou sendo empurrado para depois das 17h por causa do tempo. Mesmo assim, eu decidi ir — cheguei por volta das 19h, acompanhada da minha filha adolescente e do namorado dela, que “odiaram” imediatamente, o que os levou a “desaparecerem quase instantaneamente.
E foi assim, sem muito aviso, que eu me vi sozinha. Sozinha — uma palavra que, até então, sempre carregou um certo peso pra mim. Mas, naquele momento, ela veio acompanhada de algo inesperado: liberdade.
Ao meu redor, um cenário vivo. Casais abraçados, jovens já meio perdidos na bebida, risadas soltas, olhares distantes… e muitos casais mais velhos, daqueles que claramente carregam o rock na história da própria vida. Era bonito de ver. Era real.
E eu ali, no meio de tudo, sentindo falta de alguém para dividir aquele instante. Alguém para rir junto, comentar a música, e falar uma besteira qualquer. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim começou a mudar.
Fiquei observando. Cada detalhe. Cada pessoa. Cada som atravessando o ar gelado. As horas passaram, e eu permaneci ali, congelando por fora e despertando por dentro. Em silêncio, me questionei como tinha chegado até aquele momento — sozinha, em meio a tanta gente.
E então entendi.
Talvez, ao longo da minha vida, eu nunca tenha tido por perto pessoas que realmente compartilhassem dos mesmos gostos, da mesma essência. E tudo bem. Aquela noite me mostrou que talvez esteja na hora de normalizar isso: estar comigo mesma, sem precisar de companhia para validar a experiência, para viver aquilo que eu realmente quero viver.
Foi solitário, sim. Mas também foi libertador.
As bandas foram impecáveis, as músicas ecoaram como trilha de um reencontro silencioso comigo mesma. E, no meio daquele frio, daquela chuva e daquela solidão, eu me recuperei um pouco.
De
mim.
Para mim.


Comentários
Postar um comentário