O lucro é mais barato

Observador Antenor Emerich


O mundo está mudando. O mundo está sempre mudando. É uma característica do universo. Nada do que foi será de novo do jeito que foi há um segundo.

Mas a mão humana, com sua inteligência inventiva, tem acelerado alguns processos de mudança geográfica e climática.

Pode ser verdade que, a princípio, não sabíamos que estávamos interferindo nos ciclos naturais do planeta. Mas, algumas décadas após a Revolução Industrial, nossa interferência no desenvolvimento natural da Terra tornou-se evidente. Começou então uma discussão ferrenha sobre a necessidade de reduzir os impactos ambientais da atividade humana, enquanto os capitães da indústria passaram a tratar essa preocupação como uma falácia de esquerdistas.

Não se trata de salvar a natureza. Trata-se de evitar que a humanidade transforme o próprio habitat em um ambiente hostil.

A natureza muda. Sempre mudou. Mas muitas dessas transformações ocorreram ao longo de milhares ou milhões de anos. A ação humana está comprimindo processos que levariam séculos em poucas décadas, reduzindo drasticamente a capacidade de adaptação dos ecossistemas e das sociedades humanas.

Os dados científicos nos mostram que a indústria está acelerando esse processo de forma intensa. Os oceanos nos enviam um aviso colossal. No Atlântico Norte, logo ao sul da Groenlândia, há uma gigantesca "mancha fria" (o Cold Blob). Em um planeta em aquecimento, aquela região específica está resfriando.

O motivo? O derretimento acelerado do gelo ártico está despejando bilhões de toneladas de água doce no oceano, enfraquecendo o motor da AMOC (Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico).

Cientistas apontam que essa esteira rolante de calor está em seu nível mais fraco em 1.600 anos. Se ela parar, cenário que estudos recentes mostram estar cada vez mais próximo, a Europa enfrentará um resfriamento brutal, as monções na Ásia poderão colapsar e a Amazônia poderá entrar em um ciclo de seca irreversível.

A mancha fria não é um sinal de que o aquecimento global parou. É justamente um dos sintomas de que ele está avançando.

A solução é evidente: reduzir drasticamente as emissões de carbono. Ou seja, precisamos abandonar a dependência dos combustíveis fósseis.

A resposta dos capitães da indústria vem pragmática:

"Você já viu o custo da transição para o hidrogênio verde? Inviável para o trimestre."

A questão central não é tecnológica. Também não é científica. É econômica.

Parar com a queima de combustíveis fósseis e migrar para fontes limpas de energia custa caro. Porém, muito mais caro do que qualquer investimento financeiro será o custo humano das mudanças climáticas aceleradas.

Talvez, agora que os efeitos dessas mudanças começam a atingir diretamente as economias mais ricas do planeta através das perturbações da AMOC, os responsáveis pelas emissões de carbono sejam finalmente obrigados a acelerar a transição energética.

Entretanto, muitos ainda fazem seus cálculos e chegam à mesma conclusão fatídica:

O LUCRO É MAIS BARATO!


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