Fim dos direitos trabalhistas

Artigo de Antenor Emerich

Às vezes, fico imaginando o sujeito que vota na extrema-direita.

O candidato diz:

"Vocês têm que abrir mão dos direitos do trabalhador. É melhor ter mais emprego e menos direitos do que ficar sem trabalhar."

E o indivíduo responde:

"É isso aí! Vou votar nesse candidato." 

E vota.

Vota contra si mesmo.

Vota pelo fim do FGTS, pelo enfraquecimento da Previdência, pela redução da proteção trabalhista, pela flexibilização das garantias conquistadas ao longo de décadas. Vota contra férias remuneradas, décimo terceiro, sindicatos, acordos coletivos, universidades públicas, creches e políticas sociais que ajudam a reduzir a desigualdade. Em nome da liberdade, acaba aceitando uma condição de maior vulnerabilidade.

Neste ponto, surgem à minha mente inquieta três questões fundamentais.

Questão um

O grande truque dessa retórica consiste em vender a perda de direitos como sinônimo de liberdade ou de espírito empreendedor.

O trabalhador abre mão da segurança de amanhã em troca da promessa de prosperidade hoje.

No fim das contas, porém, ele não se torna o patrão da própria história. Torna-se apenas um trabalhador mais vulnerável, sem proteção quando a doença, o desemprego, a velhice ou qualquer imprevisto inevitável da vida bater à porta.

Questão dois

A pergunta que permanece, e que raramente recebe uma resposta direta, é simples:

Desde quando abrir mão da dignidade passou a ser condição para conquistar dignidade?

Quem realmente lucra quando um trabalhador aceita receber menos proteção, menos garantias e menos condições para negociar o próprio trabalho?

Questão três

Talvez esta seja uma das maiores vitórias da propaganda política contemporânea: convencer o explorado a defender, com convicção, os interesses de quem concentra o poder econômico.

E, enquanto acredita estar fazendo um excelente negócio para si mesmo, acaba comemorando a própria perda de direitos.

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