Candidatos de 2026 com cara de 1989
A cena se repete com os mesmos autores e os mesmo dircursos. Por que o eleitor não procura novas opções? Por que não surgem novas opções?
O TOM DA RETÓRICA – POLÍTICA (MAIO DE 2026)-Por Antenor Emerich
Onde estão os candidatos?
Com essa pergunta na cabeça, decidi analisar a quantidade de
candidatos nas eleições presidenciais brasileiras. Em 1989, tivemos
impressionantes 22 candidatos à presidência — a campanha
eleitoral com o maior número de concorrentes ao cargo na nossa
história. Fazer essa análise nos ajuda a entender a fragmentação
partidária e o cenário político de cada época do Brasil.
Para este levantamento, vamos focar nos períodos em que o voto era direto e a disputa contava com mais de dois candidatos expressivos ou registrados. Isso exclui o período da Ditadura Militar (onde a eleição era indireta e bipartidária) e alguns pleitos da República Velha (que eram praticamente de candidato único ou restritos a apenas duas forças regionais).
Repare como o número de candidatos disparou na redemocratização (22 em 1989), estabilizou nos anos 1990 e 2000, e voltou a subir após as jornadas de junho de 2013 e a crise política, alcançando 13 em 2018. Isso mostra como os momentos de insatisfação popular tendem a fragmentar o debate político em mais candidaturas.
Levantamento histórico: o número de candidatos na Nova República
1994 (08 candidatos): Eleição marcada pelo sucesso do Plano Real. Fernando Henrique Cardoso (FHC) venceu no primeiro turno, superando Lula, Enéas e outros 5 nomes.
1998 (12 candidatos): FHC disputou a reeleição (pela primeira vez no país) contra Lula, Ciro Gomes, Enéas e mais 8 candidatos.
2002 (06 candidatos): Vitória de Lula no segundo turno contra José Serra. O pleito teve um forte debate econômico e contou também com nomes como Ciro Gomes e Anthony Garotinho.
2006 a 2022: Em 2006 foram 7 candidatos; em 2010, 9; em 2014, 11; em 2018, 13; e em 2022, 11 candidatos.
Analisando a Nova República (de 1989 até a eleição de 2022), percebemos um fenômeno bem interessante: embora dezenas de pessoas tenham se candidatado, um grupo muito seleto de políticos virou "figura carimbada" nas urnas, disputando a presidência várias vezes.
Nenhum candidato disputou absolutamente todas as 9 eleições que tivemos desde 1989. Os recordistas absolutos passaram bem perto, mas ninguém esteve em todas. Por outro lado, um grupo expressivo de políticos disputou mais de uma eleição presidencial nesse período.
Vou destacar quem são esses personagens e quantas vezes eles tentaram chegar ao Palácio do Planalto, divididos pelo "nível de insistência".
Os recordistas absolutos (6 eleições)
Luiz Inácio Lula da Silva: É quem mais acumulou participações como cabeça de chapa. Disputou a presidência em 1989, 1994 e 1998 (ficando em segundo lugar), venceu em 2002 e 2006, ficou de fora de três disputas e retornou para sua sexta campanha em 2022, quando venceu novamente. Ele não concorreu em 2010, 2014 e 2018.
José Maria Eymael: O famoso candidato do "sinalzinho" empata com Lula em número de disputas presidenciais. Ele foi o cabeça de chapa da Democracia Cristã (antigo PSDC) em seis ocasiões: 1998, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, tornando-se uma das figuras folclóricas mais conhecidas do debate.
Os "quadrifretados" (4 eleições)
Logo atrás, com quatro disputas cada, temos nomes marcantes da nossa política:
Ciro Gomes: Teve uma trajetória longa de tentativas por diferentes partidos, carimbando o cartão de candidato à presidência nos anos de 1998, 2002, 2018 e 2022.
Marina Silva: Concentrou suas participações em uma sequência forte, disputando os pleitos de 2010, 2014 e 2018, e retornando como candidata a deputada em 2022 após federações partidárias.
Zé Maria: O representante do PSTU também carimbou sua presença no debate presidencial em quatro eleições: 1998, 2002, 2010 e 2014.
Os veteranos de três disputas (3 eleições)
Com três candidaturas na conta como cabeça de chapa, temos nomes que moldaram o imaginário político do país:
Enéas Carneiro: Conhecido pelo seu bordão "Meu nome é Enéas" e seu tempo curtíssimo de TV, ele arrastou multidões de votos disputando a presidência em 1989, 1994 e 1998.
Geraldo Alckmin: Disputou a liderança do país pelo PSDB em 2006 e 2018, antes de mudar de rumo e se tornar vice de Lula anos mais tarde.
Levy Fidelix: O ferrenho defensor do "Aerotrem" também marcou época disputando a presidência em três ocasiões: 2010, 2014 e 2018.
Rui Costa Pimenta: O candidato do PCO manteve sua base ativa e demarcou espaço ideológico em três pleitos: 2002, 2010 e 2014 (teve a candidatura indeferida em 2006 e 2018).
Os que tentaram duas vezes (2 eleições)
Nessa categoria, temos uma mistura de ex-presidentes que buscaram a reeleição, vices tradicionais e lideranças regionais expressivas. Ao todo, mais de uma dezena de políticos repetiram a dose. Destacam-se:
Fernando Henrique Cardoso (FHC): Disputou e venceu as duas que tentou, em primeiro turno, em 1994 e 1998.
Dilma Rousseff: Seguiu o mesmo caminho de FHC, disputando e vencendo as eleições de 2010 e 2014.
Jair Bolsonaro: Disputou a eleição vitoriosa de 2018 e tentou a reeleição em 2022.
José Serra: Foi o nome principal do PSDB nas frentes de 2002 e 2010.
Leonel Brizola: Uma das maiores lideranças da esquerda, tentou a presidência em 1989 e 1994 (em 1998, concorreu como vice de Lula).
Anthony Garotinho: Teve votação expressiva em 2002 e tentou ensaiar retornos em outras ocasiões.
Guilherme Boulos: Disputou pelo PSOL em 2018 antes de focar na política paulista.
Conclusão
Essa repetição de nomes mostra como a política brasileira, apesar de ter dezenas de partidos registrados, passou quase três décadas concentrada nas mesmas lideranças. O eleitor que votou em 1989 encontrou vários dos mesmos nomes na urna mais de trinta anos depois, em 2022. Isso ajuda a explicar o forte sentimento de "velha política" que frequentemente aparece nos discursos de novos candidatos que tentam se vender como a única e verdadeira novidade



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