A ERA DA SUSPEITA
Artigo de Antenor Emerich
Nos últimos dias, discussões envolvendo PT, PL, bolsonarismo, TSE e acusações divulgadas nas redes sociais reacenderam um fenômeno antigo da política: a força das suspeitas.
A notícia é recente. O fenômeno não.
Ao longo da história, impérios foram erguidos e destruídos por boatos. Religiões foram perseguidas por suspeitas. Pessoas perderam reputações, empregos, amizades e até a própria vida por acusações jamais comprovadas.
A suspeita possui uma característica curiosa: ela não precisa ser verdadeira para produzir efeitos reais.
Basta que seja plausível.
Ou, em muitos casos, basta que pareça confirmar aquilo em que já acreditamos.
Costumamos imaginar que formamos nossas opiniões após analisar cuidadosamente os fatos. A experiência cotidiana sugere algo diferente. Muitas vezes escolhemos primeiro a conclusão e, somente depois, procuramos argumentos capazes de sustentá-la.
É por isso que duas pessoas podem observar exatamente o mesmo acontecimento e chegar a interpretações completamente opostas. Os fatos são os mesmos. As convicções são diferentes.
A dúvida procura respostas.
A suspeita procura confirmações.
Quem duvida investiga.
Quem suspeita frequentemente já escolheu a conclusão antes mesmo de iniciar a investigação.
Talvez seja por isso que vivamos um tempo tão peculiar. Nunca tivemos acesso a tanta informação. Nunca tivemos tantas ferramentas para verificar dados, confrontar versões e consultar fontes. Ainda assim, a circulação de suspeitas parece crescer na mesma velocidade da informação.
A tecnologia ampliou nossa capacidade de conhecer. Mas também ampliou nossa capacidade de acreditar.
E acreditar continua sendo uma das atividades humanas mais fascinantes.
Afinal, o que nos convence de que algo é verdadeiro?
Uma prova?
Uma evidência?
Ou a confortável sensação de ouvir aquilo que gostaríamos que fosse verdade?
Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja obter informação.
Talvez seja aprender a distinguir entre aquilo que sabemos e aquilo que apenas desejamos acreditar.
Este artigo foi inspirado por debates recentes envolvendo PT, PL, bolsonarismo, redes sociais e decisões da Justiça Eleitoral, mas procura refletir sobre um fenômeno humano que vai muito além da política.


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