Cognição: quando pensar deixa de ser um ato conscient
[11:56, 22/01/2026] Antenor Emerich
Cognição é, em termos simples, a capacidade de perceber, interpretar, organizar e agir a partir da realidade. Pensar, lembrar, aprender, decidir, antecipar consequências. Não é apenas inteligência, nem apenas memória. É o sistema operacional da consciência em funcionamento.
![]() |
| Argumento da imagem: Antenor Emerich. Realizaçao daimagem: ChatGPT |
O problema começa quando a cognição falha, não de forma pontual, mas estrutural.
Deficiência cognitiva não se resume a quadros clínicos ou neurológicos. Há um tipo de deficiência cognitiva funcional, socialmente produzida e culturalmente incentivada, que se manifesta no cotidiano de pessoas aparentemente saudáveis, escolarizadas e informadas.
Ela aparece quando o indivíduo:
• Não consegue sustentar uma ideia até o fim
• Confunde opinião com fato
• Reage antes de compreender
• Repete narrativas sem examiná-las
• É incapaz de revisar a própria crença diante de novas evidências
Nesse caso, o problema não é falta de informação, mas incapacidade de processamento.
Os principais sintomas da deficiência cognitiva funcional
Alguns sinais são recorrentes:
1. Pensamento fragmentado
A pessoa pensa em blocos isolados, sem relação entre causa e efeito. Tudo vira episódio, nunca processo.
2. Hipertrofia da emoção sobre a análise
Sentir substitui pensar. O que provoca raiva, medo ou prazer imediato passa a ser automaticamente “verdade”.
3. Dificuldade de abstração
Tudo precisa ser literal, imediato, personalizado. Ideias complexas causam rejeição ou hostilidade.
4. Dependência de autoridade simbólica
A cognição é terceirizada. O sujeito não pensa, ele “segue”, “repete”, “compartilha”.
5. Intolerância à ambiguidade
A realidade precisa ser simples: bem contra mal, nós contra eles. Qualquer nuance gera ansiedade.
As causas não são individuais, são ambientais
A deficiência cognitiva contemporânea não nasce do nada. Ela é produzida por:
• Excesso de estímulos e déficit de silêncio
• Consumo constante de informação sem tempo de digestão
• Algoritmos que reforçam crenças prévias
• Educação focada em resposta correta, não em pergunta bem formulada
• Cultura da performance, não da reflexão
O cérebro passa a operar em modo reativo, não deliberativo. Age por reflexo, não por consciência.
![]() |
| Argumento da imagem: Antenor Emerich. Realizaçao daimagem: ChatGPT |
Quando a cognição se enfraquece:
• O debate público vira gritaria
• Decisões coletivas tornam-se impulsivas
• A manipulação se torna fácil
• O medo substitui o pensamento político
• O senso crítico é visto como ameaça
Sociedades com baixa cognição funcional não colapsam de imediato. Elas se degradam lentamente, normalizando o absurdo e chamando isso de pragmatismo.
Recuperar a cognição é um ato político e íntimo
Fortalecer a cognição não exige genialidade, exige disciplina mental:
• Ler devagar
• Ouvir até o fim
• Duvidar da própria certeza
• Sustentar desconforto intelectual
• Pensar antes de reagir
Cognição é treino. E também coragem.
Pensar de verdade cansa, isola, atrasa respostas rápidas. Mas é o único antídoto contra a estupidez funcional travestida de opinião.
No fim, a pergunta não é se estamos informados.
É se ainda somos capazes de pensar.


Eu sempre percebi e desconfiei que a sociedade do ócio iria levar fatalmente a certos tipos de comportamento que seria preciso trabalhar, e um deles talvez seja esta falta de cognição, pois o próprio conhecimento estaria automatizado, pronto, e não seria preciso produzir mais nada; mas existe um grande engano nessa forma de pensar, pois sabemos que o significado desse nascimento tecnológico foi que só tocamos a ponta do iceberg do Grande conhecimento, mas foi o suficiente para fazer sobressair toda a prepotência humana nessa área do conhecimento processado através dessa tecnologia emergente. O grande problema é quem amarra o conhecimento, quem o instrumentaliza, quem o usa para escravizar a maior parcela da humanidade? Temos muitas respostas mas mais ainda peguntas.
ResponderExcluir