A solução fácil

A questão da cognição
Quando o problema é grande, muita gente procura a resposta mais simples. Não a melhor. A mais fácil. Na violência, essa resposta costuma ser: matar o bandido. Parece lógico. Parece rápido. Parece eficiente. Mas isso é pensamento de criança. Dou um exemplo real. Em sala de aula, alunos da quinta série escreveram redações. Histórias diferentes, personagens diferentes, conflitos variados. Mas todas, sem exceção, terminavam do mesmo jeito: alguém morria. Matar era a forma mais fácil de encerrar a história. O conflito acabava ali. Não precisava pensar mais. Adultos fazem exatamente a mesma coisa. O problema da sociedade é complexo. Envolve desigualdade, educação ruim, falta de oportunidades, ausência do Estado, cultura da violência. Isso dá trabalho para pensar. Dá trabalho para resolver. Então surge a saída curta: elimina o bandido. Mas matar não resolve sistema. Matar não corrige estrutura. Matar não impede que outro ocupe o mesmo lugar amanhã. É como apagar o final da redação sem entender a história inteira. A solução fácil acalma o medo, não resolve o problema. Dá sensação de controle, não gera mudança real. Pensar como adulto exige mais esforço. Exige perguntar por que o bandido existe. De onde ele vem. Quem lucra com esse ciclo. O que mantém tudo igual. Pensar como criança encerra o assunto rápido. Pensar como adulto sustenta o problema até entender. Toda vez que alguém diz que matar resolve, não está propondo justiça. Está pedindo um final rápido para uma história que não quer ler até o fim. ⸻

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